JOÃO
Autor João
Embora o nome do autor não apareça no Evangelho, a tradição primitiva da Igreja, de maneira forte e consistente, identificou-o como sendo do apóstolo João. Irineu (c. 130-200 d.C.), um dos pais da Igreja primitiva, foi discípulo de Policarpo (c. 70-160 d.C.), que foi discípulo do apóstolo João. Ele testificou com base na autoridade de Policarpo que João escreveu o Evangelho já em idade avançada, durante o tempo em que morou em Éfeso, na Ásia Menor (Contra Heresias 2.22.5; 3.1.1). Depois de Irineu, todos os pais da Igreja aceitaram João como o autor do Evangelho. Clemente de Alexandria (c. 150-215 d.C.) escreveu que João, ciente dos factos relatados nos outros Evangelhos e sendo movido pelo Espírito Santo, compôs um “Evangelho espiritual” (ver História Eclesiástica de Eusébio, 6.14.7).
Data 80 – 90 d.C.
Verso “João aponta o Cordeiro de Deus que tira o pecado de gentios e judeus”
Versículos chave 1.11-13; 1.29; 20.31
Propósito Estabelecer relacionamentos de fé com Deus proclamando a glória de Jesus, o Messias, o Filho encarnado, cuja vida, morte e ressurreição mediam vida eterna, graça e verdade aos crentes.
Mensagem A encarnação do Filho de Deus revela Sua glória divina àqueles que, a despeito da oposição generalizada, desfrutam de graça e verdade mediante a fé em Jesus como a provisão divina para o pecado do mundo.
Contribuição para o Cânon (Porque este livro está na Bíblia?)
- O Evangelho segundo João tem sido o “folheto evangelístico” da Bíblia.
- João é um dos livros mais cristológicos no NT, talvez depois de Colossenses e Hebreus.
Esboço
Prólogo: A Encarnação (1.1-18)
- A Manifestação do Filho de Deus à Nação (1.19-12.50)
- Apresentação como Messias (2.1-4.54)
- A Oposição e Rejeição Crescente (5.1-12.50)
- A Preparação dos Discípulos (13-17)
- As Instruções (13-16)
- A Oração (17)
- A Paixão (Morte / Ressurreição) de Jesus (18-21)
- A Interrogação (18.1-19.16)
- A Crucificação e Sepultamento (19.17-42)
- A Ressurreição (20.11-21.25)
Pontos notáveis
- João e Tiago, seu irmão mais velho (At 12.2), eram conhecidos como “filhos de Zebedeu” (Mt 10.2-4), e Jesus lhes deu o nome de “filhos do trovão” (Mc 3.17). João foi apóstolo (Lc 6.12-16) e um dos três amigos mais íntimos de Jesus (juntamente com Pedro e Tiago – cf. Mt 17.1; 26.37), tendo sido testemunha ocular e participante do ministério terreno de Jesus (1Jo 1.1-4).
- Aparentemente, João escreveu o seu Evangelho a fim de fornecer uma contribuição singular ao registo da vida do Senhor (“um Evangelho espiritual”) e, em parte, para suplementar e complementar Mateus, Marcos e Lucas.
- João é um dos livros mais simples (em termos de estilo, vocabulário, gramática, etc.) do NT, mas ao mesmo tempo o Evangelho mais teológico de todos, contendo, por exemplo, um denso prólogo teológico (1.1-18), uma quantidade maior de material de ensino e discursivo do que material narrativo (ex. 3.13-17) e a maior quantidade de ensino sobre o Espírito Santo (ex. 14.16-17,26; 16.7-14).
- Embora João conhecesse os Evangelhos sinóticos e tivesse composto o seu Evangelho tendo estes em mente, ele não dependeu deles para obter informação. Pelo contrário, ao compor o Evangelho sob inspiração do Espírito Santo, ele usou suas próprias lembranças na qualidade de testemunha ocular (1.14; 19.35; 21.24).
- João compôs o seu Evangelho para fornecer razões para a fé salvadora de seus leitores e, consequentemente, assegurá-los de que receberiam o dom divino da vida eterna (1.12).
- É notável o progresso no entendimento da mulher samaritana quanto à identidade de Jesus: Judeu (4.9), Senhor (4.11, 15), profeta (4.19), Messias (4.29).
- João organizou o seu Evangelho em torno de oito “sinais” ou provas que reforçam a verdadeira identidade de Jesus, conduzindo à fé. A primeira metade da sua obra centra-se em torno de sete sinais milagrosos escolhidos para revelar a pessoa de Cristo e gerar fé: 1) a transformação da água em vinho (2.1-11); 2) a cura do filho de um oficial do rei (4.46-54); 3) a cura de um paralítico (5.1-18); 4) a alimentação de uma multidão (6.1-15); 5) Jesus andando sobre o mar (6.16-21); 6) a cura de um cego de nascença (9.1-41); e 7) a ressurreição de Lázaro (11.1-57). O oitavo sinal é a pesca milagrosa (21.6-11) depois da ressurreição de Jesus.
- “EU SOU” – Jesus apresenta-se várias vezes com esta expressão que aponta claramente para o nome pelo qual o SENHOR (YHWH) se apresentou no AT (Ex 3.14 “EU SOU O QUE SOU”): “Em verdade, em verdade eu vos digo: antes que Abraão existisse, EU SOU” (8.58); EU SOU o Pão da
Vida (6.35); EU SOU a Luz do Mundo (8.12); EU SOU a Porta (10.7,9); EU SOU o Bom Pastor (10.11,14); EU SOU a Ressurreição e a Vida (11.27); EU SOU o Caminho, a Verdade e a Vida (14.6); EU SOU a Videira Verdadeira (15.1-5); “Quando, pois, Jesus lhes disse: SOU EU, recuaram e caíram
por terra” (18.6). - Os líderes (hipócritas) dos judeus processaram o Criador do Universo com falsas acusações, blasfémias, mentiras e com um julgamento ilegal (durante a noite). Contudo, não queriam contaminar-se pelo contacto com os gentios antes da Páscoa, por esta razão não entraram no pretório (18.28; cf. Mt 23.24).
- O Evangelho de João muitas vezes é chamado de “o Evangelho da Fé”; bem poderia ser chamado de “o Evangelho do Conflito entre a Fé e a Incredulidade”, porque desde o princípio até os eventos finais do livro, a apresentação do Messias provoca confiança e incredulidade, com os resultados naturais de bênção e condenação.
- Este livro talvez seja a obra literária de mais ampla circulação em todo o mundo, e João 3.16 o versículo mais citado de toda a Bíblia.
- Se os Evangelhos Sinóticos se interessam pelo lugar de Jesus na história de Israel e além, João interessa-se pelo lugar de Jesus no quadro geral das coisas – da Criação à redenção e além (a última ressurreição). As boas-novas centrais da história cristã consistem no facto de que o Messias não é ninguém menos que o próprio Filho eterno de Deus.